Bruno Fagundes afirma que a carreira de ator não é para os fracos

Ator revela os principais desafios de viver seu personagem.

Fotos: Jhonathan Serrano e Jonas Tucci


Fruto de uma incrível família artística, Bruno Fagundes está roubando a cena na primeira produção brasileira original Netflix: ‘3%’. Neste bate papo exclusivo e mega descontraído, o ator falou sobre as dores e delícias da vida de ator, as expectativas e preparação para a próxima temporada da série e revelou seus planos para o futuro.

O que te motivou a entrar na área artística? Não sei ao certo. Minha alma sempre foi muito artística. Sempre amei arte em toda sua potencialidade e tenho certeza que nasci assim. Acho que não é algo que se adquire.

Como foi o início? Teve apoio da família? Foi um processo muito natural, eu já tocava piano, pintava e tinha algum envolvimento com música. Na intenção de experimentar mais esse lado artístico, entrei num curso livre de teatro. Me apaixonei. Tenho sorte de ter pais que sempre me apoiaram e me deram subsídio (para mim e meus irmãos) para que fôssemos atrás do nosso sonho, seja ele qual fosse.

Já pensou em seguir outra carreira? Fiz faculdade de Relações Públicas, me formei com louvor, mas já estava trabalhando há bastante tempo como ator. Cheguei a trabalhar uns 4 meses numa agência de mídia digital. Fui bem infeliz (risos)

Quais os principais desafios da carreira? Todos! Não sei nem por onde começar a responder essa pergunta. Nossa profissão é muito subjetiva e é isso que faz nosso trabalho um dos mais complexos, afinal, a matéria-prima do ofício é material humano. Além disso, temos os desafios do mercado que são inúmeros: concorrência, sistema de celebridade, pouco incentivo, salários baixos, cultura desvalorizada etc. Some tudo isso ao fator sorte – nós atores estamos, de alguma forma, o tempo todo cavando oportunidades. Não é uma profissão para os fracos.O que mais te inspira na profissão? Tudo isso que disse na resposta anterior é meio que dor/delícia, sabe? Ao mesmo tempo que todos esses fatores geram muita ansiedade, trazem também um nível de desafio que é muito inspirador. Mas o que realmente me inspira, é poder tocar em assuntos tão caros e necessários através da arte e fantasia. Falta arte na vida, sempre vai faltar! E isso me inspira a não parar nunca!

E qual o seu trabalho dos sonhos? Nenhum, portanto, todos. Hahaha! Se eu escolher um personagem ou uma obra, vou estar reduzindo minhas possibilidades, que são inúmeras! Espero viver do meu trabalho pra sempre, até ficar bem velhinho. Então, tenho muitos sonhos, um atrás do outro. Impossível escolher um só.Como foi (e está sendo) a sua preparação para viver o André em 3%? Já fui André na segunda temporada e agora já estamos construindo André da terceira! Estou muito feliz. Na segunda temporada, meu desafio era entrar naquela história com força total, como um dos personagens centrais daquela trama, num ambiente onde todo aquele vocabulário já era tão familiar. O desafio agora é dar continuidade a esse personagem e incorporar todas as reviravoltas dele. Fazer essa curva longa entre duas temporadas é muito estimulante. Não vejo a hora de mostrar o que está por vir!

Conte um pouco a respeito do seu personagem; você se identifica com ele? O mais divertido é que: não! Em quase nenhum ponto! André pensa diferente de mim, age diferente, diz coisas que eu jamais diria, pensa coisas que não têm nada a ver com a minha forma de ver o mundo. E esse é o maior desafio: encontrar no André a sua humanidade e entender profundamente o que o leva a ser como ele é. Tem sido um desafio incrível!

Como é participar de uma série original Netflix? ‘3%’ foi a primeira produção brasileira, né? Sim! A primeira produção brasileira e apenas a terceira produção internacional da Netflix. É um produto de uma importância sem tamanho. Definitivamente, um marco para nosso mercado, 3% abriu frente para alavanca do streaming no Brasil, abriu precedente para as outras produções originais da Netflix no mundo que vieram em seguida e isso é só o começo. É incrível saber que um produto 100% brasileiro está entre as cinco séries mais maratonadas do streaming em muitos países, inclusive Austrália, Nova Zelândia, França, Espanha.

Como você descobriu que faria parte da série? Fiz quatro testes muito exigentes. Fui sendo aprovado. Recebi uma ligação do meu agente e quando vi, já fazia parte da família 3%! Foi bem rápido e a acolhida foi muito calorosa.

Quais são as suas expectativas para a próxima temporada? Estou muito ansioso. André é um personagem presente. Com tanta complexidade e tanto mistério. Tenho me dedicado muito a ele e tem sido muito prazeroso. Acho que o público vai assustar com a primeira aparição dele na nova temporada e tudo que segue! Estamos muito entusiasmados.

E os planos para o futuro; tem algum especial que possa nos contar? Temos estréia de dois longas que fiz, a partir de agosto; temos temporada de Baixa Terapia em Portugal de setembro a dezembro! Estou com outro projeto de teatro para 2019, uma peça linda! E mais alguma coisa de cinema e música aí no meio. Sou ligado no 220w! Aguardem!!!

PING PONG

  • Signo: gêmeos/ ascendente aquário/ lua Capricórnio
  • Qual é sua maior qualidade? Determinação
  • E seu maior defeito? Teimosia
  • Quais são seus hobbies? Pintura, escultura e piano
  • Qual é sua ideia de felicidade? Liberdade e autoconhecimento
  • Quem você gostaria de ser se não fosse você mesmo? Um rockstar de cabelo vermelho
  • E onde gostaria de viver? Marte?
  • Qual é sua viagem preferida? Quando fui pra Finlândia ver aurora boreal e, em seguida, no CEP oficial do Papai Noel em uma cidade chamada Rovaniemi. Inesquecível!
  • Qual é sua cor favorita? Azul, azul, azul!
  • E qual é sua comida favorita? Brigadeiro
  • Um animal: Cachorro, todos!
  • Um livro: O leitor do trem das 6h27 de Jean-Paul Didierlaurent
  • Quais são seus atores preferidos? Benedict Cumberbatch e Oscar Isaac. No momento.
  • E seus cantores? Michael Jackson!
  • Que dom você gostaria de possuir? Comer sem engordar
  • Uma mania: Cantar o tempo todo
  • Um sonho de consumo não realizado: Tóquio!
  • O que mais te irrita? Falsidade e mimimi
  • O que ou quem é o maior amor de sua vida? Meu trabalho e minha casa!
  • O que você considera a sua maior conquista? Toda minha trajetória como ator, todos os meus erros e aprendizado
  • Como você se vê daqui cinco anos? Sentado num set de filmagem aguardando minha cena, enquanto respondo uma entrevista bacana pelo celular
  • Defina-se em uma palavra: Vivendo