Pally Siqueira afirma que já almejou carreira na neurociência

Atriz fala sobre sua relação com a música.

Fotos: And Marques


A pernambucana Pally Siqueira falou sobre sua personagem em ‘Malhação – Vidas Brasileiras’ e abriu o jogo a respeito do trabalho dos sonhos. Além disso, a atriz de 25 anos falou sobre os desafios da carreira artística, sua relação com a moda, o feminismo e muito mais.

O que te encantou na área artística e fez com que você entrasse nesse ramo? Desde criança eu tenho essa artéria pulsante da arte que sempre vibrou e reverberou em mim. No fundo, eu sempre tive a consciência de que vim pra esse mundo para fazer arte. Não consigo me imaginar em outra área ou fazendo outra coisa.

No início da carreira você teve apoio da família? Minha mãe sempre me apoiou em todas as decisões que eu tomei na minha vida, ela sempre teve o discernimento de que estava me criando para o mundo e que eu tinha que trilhar meus próprios caminhos independente da área que eu escolhesse, o importante para ela é que eu seja feliz.

Quais os principais desafios da área artística? Viver de arte no Brasil é um desafio diário, por inúmeras questões, falta de investimento, falta de interesse em novas políticas para arte. Deixando de lado essas questões básicas burocráticas, acredito que o desafio maior seja o de se reinventar diariamente, de propor soluções e caminhos que as outras pessoas não viam, inovar no comum.

O que mais te inspira na profissão? As possibilidades de viver várias vidas, de dar voz e corpo a tantas histórias, de ser múltipla e ser uma. Me inspira transbordar em sentimentos.

Você já pensou em seguir outra carreira? Já sim! Fiz faculdade de moda e de psicologia. Almejava seguir carreira na neurociência, gosto muito de pesquisas e das possibilidades do universo da mente humana. Penso em concluir o curso no futuro, mas não mais em trabalhar nessa área.

Qual o trabalho dos sonhos? Tenho muitas pessoas em mente com quem gostaria de trabalhar, a curto prazo eu quero muito trabalhar com a Flávia Lacerda, Zé Villamarim, Walter Carvalho, Luiz Fernando Carvalho, Chico Accioly, Kleber Mendonça, Gabriel Mascaro, Aly Muritiba, Anna Muylaert, Lais Bodanzki… Esses são alguns diretores que me identifico muito com a forma de trabalho e de entrega deles, ficarei muito feliz em integrar alguma obra desses mestres.Conte um pouco sobre a sua personagem em Malhação. Você se identifica com a Amanda? Me identifico muito com a Amanda. Ela é artista como eu, toca, canta, pinta, do sertão, estudiosa, dedicada, madura para a idade, sonhadora…. Tem vários elementos da Pally na Amanda, a perseverança e a luta estão presentes sempre em nós duas!

Como foi a preparação para interpretar a personagem? Ainda está sendo. É uma preparação diária. Essa personagem me exige não só um preparo emocional, mas também um físico, já que estamos abordando uma doença neurodegenerativa progressiva muscular. A todo momento novos elementos surgem de informação para acrescentar ao corpo, tenho que estar bem atenta aos detalhes de todo meu corpo. Tenho tido ajuda de algumas pessoas nessa composição, a Isabella Secchin, nossa preparadora, a Tati preparadora física e a Paula Falluh, paciente de ELA que tem me ajudado de uma forma imensurável nesse trabalho. Minha eterna gratidão a elas.

Conte um pouquinho a respeito da sua relação com a música, você toca vários instrumentos, não é? Comecei a me interessar por música muito cedo. Participava do coral da escola, de apresentações de música, comecei a brincar de fazer shows quando criança. Meu primeiro instrumento foi o baixo elétrico, depois dele comecei a tocar rabeca e pife e daí conheci o Handpan por quem eu estou completamente apaixonada. Meus amigos brincam comigo falando que eu sou a pessoa que chega com os instrumentos mais inusitados e exóticos. (risos) Eu me divirto e saio do lugar comum.Qual a sua relação com a moda? Minha primeira faculdade foi de moda, me possibilitou aprender a executar várias coisas como corte e costura, customização, estamparia, modelagem…. Foi muito rico para mim como artista conseguir tirar os projetos do papel. Nessa época, abri minha primeira empresa, se chama Tee Bags, confecciono mochilas e bolsas em couro vegano e com um material resistente à água e de descartes de tecidos. A moda para mim sempre foi algo que estava agregado a conforto e praticidade com estilo e nunca esquecendo o contexto social e cultural que está em volta.

Você é super engajada em assuntos feministas. Conte um pouco a respeito da sua relação com o movimento, você acredita que essas pautas precisam ser discutidas com mais frequência no país? Muitas vezes essa nomenclatura “feminismo” assusta as pessoas e as fazem ter distância sobre o que de fato esse nome significa. É algo que tem q ser falado na fila do pão, na sala de aula, no salão de beleza, no ambiente de trabalho, na pelada com os amigos, na mesa do boteco, no almoço de domingo, na criação dos filhos… Temos que falar sobre feminismo que significa igualdade de direitos, respeito e educação. O feminismo não é contra os homens, é contra o machismo, é contra esse modelo patriarcal cruel e repressor que é empregado a nós mulheres e homens, porque eles também sofrem com o machismo, muitos meninos crescem reprimindo seus sentimentos e isso gera uma sociedade cada vez mais doente. Eu falo e exponho que sou feminista aos quatro cantos para naturalizar ao máximo.

Como foi a sua adaptação na cidade grande depois de sair no Pernambuco? Foi tranquila, o Rio parece muito com o Recife, cidade de litoral, tem o mesmo tempo de vida. Mas as pessoas costumam ter um mesmo comportamento. A fase difícil foi a adaptação de Arcoverde para Recife, aí sim eu senti o que era a cidade de fato.PING PONG

  • Idade: 25 anos
  • Local de nascimento: Arcoverde- Pernambuco
  • Uma qualidade: Intuição
  • Um defeito: Insegurança
  • Sua ideia de felicidade é: Temporária, por isso aproveite a cada momento, por que tudo passa
  • Sua atividade favorita é: Pintar
  • Seu cantor favorito é: Pode ser banda? Pink floyd
  • Sua cantora favorita é: Nina Simone
  • Uma cor: Amarelo
  • Um animal: Carcará
  • Uma viagem inesquecível: Deserto do Atacama
  • Quem você gostaria de ser se não fosse você? Leonardo da Vinci
  • E onde viveria? Itália
  • Que dom gostaria de ter? Gostaria de ter o ouvido absoluto, identificar todas as notas só pelo som
  • Qual seu sonho de consumo ainda não realizado? Uma casa própria
  • O que mais te irrita? Falta de comprometimento
  • O que ou quem é o amor da sua vida? Minha mãe
  • Defina-se em uma palavra: Força