Petrônio Gontijo comenta sobre os desafios da interpretação

Ator fala sobre sua preparação para viver o apóstolo Pedro.


Apesar de já ter cogitado seguir outras profissões, Petrônio Gontijo contou com o apoio dos pais para ingressar na carreira artística. Os papéis marcantes, os desafios da área e os truques para se preparar antes de entrar em cena são as pautas desta entrevista exclusiva com o ator de ‘Jesus’, a mais nova produção Bíblica da rede Record.

Você começou na carreira artística muito cedo, o que o motivou? Teve apoio da família? Muito cedo. Fiz teatro no colégio, depois, nos festivais de Minas. O que me motivou foi a vontade de comunicar uma ideia, um sentimento, através de personagens ficcionais ou não, a possibilidade de viver um outro ou tentar compreende-lo apenas. Quanto ao apoio familiar, houve, a princípio, uma preocupação.. mas era o que tinha que acontecer, meus pais enxergaram isso e me apoiaram sim.

Existe alguma lembrança especial dessa época? Apresentava minhas peças nos teatros e clubes da cidade, mas ensaiava em praça pública, nos finais de semana… Ficávamos muito queimados de sol. Outra lembrança inesquecível foi a universidade. 5 anos de aprendizado e pesquisa no prédio de Artes Cênicas da Unicamp. Fui muito feliz ali.

Como foi sair de Minas Gerais para morar em São Paulo; você se adaptou fácil à cidade? Eu queria muito ir pra São Paulo, queria ganhar a cidade, trabalhar lá. Os núcleos de teatro mais interessantes estavam lá. Tudo rolava em São Paulo. Senti de cara que era a cidade que eu iria morar.

Já pensou em seguir outra carreira? Se sim, qual? Pensei na possibilidade de publicidade ou jornalismo, na época do vestibular. Fui até a USP conhecer o campus e os cursos, mas fiquei mesmo foi com o pessoal da EAD assistindo ensaios. Quando voltei pra casa todos entenderam o que tinha acontecido e antes de eu falar, minha mãe me disse: presta vestibular pra artes cênicas, meu filho.

Quais os principais desafios da carreira? Não achar que se sabe muito, nunca sabemos. Penso que é fundamental conhecermos os autores, os estudiosos do teatro, que criaram métodos interessantíssimos. Nesses autores encontramos os grandes desafios: os personagens. Acredito também que o ator deva aprender a reconhecer a vaidade e usá-la a seu favor.

O que mais te inspira na profissão? Música e um texto bom.

E qual o seu trabalho dos sonhos? Não tenho um personagem dos sonhos. Sei que fiz muitos autores contemporâneos no teatro… Gostaria agora de fazer um clássico, gostaria de fazer Shakespeare, que nunca fiz.

Conte um pouco a respeito do seu personagem em ‘Jesus’, você se identifica com ele? Pedro é uma pedra bruta a ser lapidada e acredito que este será o grande mote do personagem durante uma boa parte a novela. Ele é o que mais erra, mas também o que busca incansavelmente acertar. Fala sem pensar, se atira sem medir as consequências dos fatos. Estudar a psicologia de um personagem tão humano tem me estimulado muito nesse processo de construção. Pedro se permitirá ser dilapidado durante a novela e, como sabemos, se tornará um grande líder. Algo que me desperta para Pedro é a aversão à hipocrisia e a sua assombrosa sinceridade. Me identifico bastante com sua impulsividade, mas com sua disponibilidade também.Alguns atores da novela comentaram sobre as mudanças no visual que passaram para viver seus personagens; e você? Rolou uma mudança no visual também? Pouca. Nessa novela optamos por usar o próprio corte de cabelo e nenhuma barba artificial. Tenho procurado tomar bastante sol pelo fato de se tratar de um pescador.

Como você se preparou – e se prepara – para viver o Pedro? Tem algum ritual antes de entrar em cena? Li tudo que encontrei a respeito de Pedro. Procurei me aprofundar na questão da dubiedade do personagem, que luta entre a coragem desmedida e o temor, entre a impetuosidade e a reclusão. Meu grande ritual em novela é estudar o texto o máximo que eu conseguir. Decorar, estudar, falar alto, nas poucas horas de intervalo entre um dia de gravação e o outro.

Sobre seu trabalho no filme ‘Nada a perder’, como foi interpretar Edir Macedo? Um imenso desafio. Ele é muito conhecido em todo o mundo. Foi necessário criar um método em que eu pudesse apreender o máximo de características possíveis do bispo Edir e ao mesmo tempo imprimir o que dele há em minha personalidade. Fui muito auxiliado pelo preparador de atores Luiz Mário e pelo diretor Alexandre Avancini, com o qual tenho grande cumplicidade, para exercer uma empreitada como essa. Um trabalho difícil, detalhado e muito recompensador. Foi uma alegria pra mim. Adorei fazer os dois filmes.

E a respeito do futuro; tem algum plano especial que possa nos contar? Gostaria de fazer no teatro Traição, do Harold Pinter, com Lavínia Pannunzio. Já tentamos uma vez mas nossos horários não coincidiram. Gostaria de retomar esse projeto.

PING PONG

  • Nome completo: Petrônio Gontijo de Alvarenga
  • Idade: 50 anos
  • Signo: Câncer
  • Uma qualidade: sou um cara determinado. Quando escolho fazer algo, vou até o fim.
  • Um defeito: demoro pra escolher
  • Sua atividade favorita é: ouvir música
  • Seu ator favorito é: Daniel Dantas
  • Sua atriz favorita é: Marília Pera
  • Uma cor: branco
  • Um animal: cachorro
  • Que dom gostaria de ter? sem dúvida, o teletransporte
  • Qual seu sonho de consumo ainda não realizado? Nenhum. Também não quis mais do que uma casa. Quero poder viajar sempre. Isso é um sonho de consumo dos grandes, acho eu
  • O que mais te irrita? O desprezo, falta de atenção com o outro
  • Uma lembrança de infância: O dia que ganhei uma tartaruga
  • Quem ou o que é o amor da sua vida? A Sol, minha cachorra
  • Defina-se em uma palavra: sobrevivente