Rafael Losso administra diferentes papeis ao mesmo tempo

Ator que interpreta garimpeiro em “O Outro Lado do Paraíso” já quis ser bailarino.

Fotos: Leo Fagherazzi
Stylist: Rafael Menezes
Beleza: Vanessa Sena


Rafael Losso entrou em contato com o teatro ainda na adolescência. Sentiu-se modificado pelo universo das artes cênicas, e hoje tem experiência nos palcos, nas telinhas e telonas. Ator multifacetado, Losso gosta de desafios. Atualmente está em novela das nove da Globo e duas outras produções. Em entrevista exclusiva ele falou sobre o ofício do ator, sobre seus papeis no momento e o que faria se não atuasse.

Sua carreira artística começou no teatro em 2003. Como surgiu o interesse pela atuação? A carreira começou em 2003, mas eu já fazia teatro desde os 15 anos quando um grupo de teatro chegou na minha escola e disse que iriam ensaiar uma peça. Aquilo logo me incentivou e quando eu subi em um palco pela primeira vez algo mudou em mim. Foi meio mágico. Antes disso, eu queria ser bailarino do Michael Jackson, haha, mas o teatro me encantou e me modificou. Quando eu assisti “Apocalipse 1,11”, espetáculo do Teatro da Vertigem, eu entendi o poder de transformação que o teatro tinha em cima dos seus espectadores. Foi isso que me fez seguir a carreira.

Se não fosse a arte, gostaria de seguir outra área? Jardinagem e tudo que envolve a profissão.

Como foi o convite e a preparação para interpretar Zé Victor em “O Outro Lado do Paraíso”? Eu já havia feito o teste para o personagem, mas ainda não tinha obtido resposta. Me lembro muito bem, eu estava na porta do teatro Sergio Cardoso, pronto para começar mais uma sessão do espetáculo que estava fazendo (Flutuante de Caco Galhardo) e meu telefone tocou. Vi que era o Lipe ( Luis Felipe Binder, dir. geral da novela), e fiquei tão emocionado que nem consegui falar com ele direito. Ele só disse: “Desculpa a demora, mas você tá com a gente, tá? Próxima das 21. Adoraram seu teste, personagem muito massa.”. Confesso que eu já estava pulando do outro lado da linha. Mais tarde caiu a ficha de que eu ia fazer um garimpeiro, achei tudo aquilo muito legal e comecei a fazer minha pesquisa.

Em quais pontos você se identifica com o personagem? Eu e o Zé Victor somos completamente diferentes. Mas tem uma coisa sim que é igual: acreditamos no amor e somos práticos.

Qual papel foi mais impactante para você até o momento? Acho que tem um que me emocionou muito. O Maicon do episódio de “Sob Pressão”. Não era só um personagem difícil, mas ele também tinha a missão de conscientizar as pessoas sobre o vírus HIV. Todos os personagens têm suas missões, mas a resposta que esse personagem me trouxe foi tão importante que me encantou. Às vezes, a gente passa a vida correndo atrás de um momento que explica o porquê de você ter escolhido fazer umas das profissões mais difíceis do mundo. Esse foi um deles. Tem outros personagens que ainda não estrearam, mas tenho certeza que também vão ser de grande impacto. Aguardem.

Entre filme, série, novela ou peça, possui alguma preferência? Hoje em dia eu acho todos fantásticos. Cada um é diferente e te trabalha de uma forma, mas como diz um amigo meu: “Teatro é óleo na máquina”. Acho que o teatro nos deixa preparado para fazer todos os outros, então, nunca vou deixar de voltar para os palcos. Mas amo o ofício do ator. E ser ator também é permear por todas essas áreas.

Há algum tipo de papel que você sonha em fazer? Muitos. Os que mais me desafiem. Principalmente aqueles que são completamente diferentes de mim.

Além do atual trabalho na novela, você faz parte de duas séries: “Rio Heroes” e “Rotas do Ódio”. Fale um pouco sobre esses personagens. São dois personagens maravilhosos. Em Rio Heroes eu faço o Eric, que é uma espécie de antagonista dentro da série. Ele vem para causar na vida do protagonista, tudo por causa de ciúmes. Ele não tem a atenção do pai como acha que merece e, por isso, vai dar um jeito de chamar atenção, mas acaba entrando numa fria. O Capitão do Rotas do Ódio é desses personagens que você pediu a vida inteira para fazer. Um personagem extremo, marginal e que tem como temática a Intolerância. No momento que estamos vivendo, sem dúvidas, acho muito pertinente poder trazer esse assunto para a casa das pessoas. São questões urgentes em mundo onde o preconceito está sempre presente.

O que te inspira no trabalho? O jogo, a parceria, a cumplicidade. O trabalho do ator é muito solitário, mas a mágica só acontece em grupo. Os artistas me inspiram na sua complexidade, na sua natureza. Nessa vontade de mudar o mundo.

Como você lida com a rotina? Possui atividades que servem como “válvula de escape”? Principalmente, quando está fazendo novela, você precisa ajustar sua vida. A rotina é muito louca, mas eu vou encaixando minhas atividades extras dentro do cronograma que me passam semanalmente. A válvula de escape é muito necessária. Sempre que posso pratico yoga, corro na praia e às vezes vou malhar. Mas acho que o violão é uma das válvulas que mais me faz esquecer de tudo e dar um tempo de descanso para a minha cabeça. Daí, combino com uns amigos um boteco, levo o violão e tudo fica tranquilo.

Como cuida do corpo e da mente? Atividades físicas são sempre muito importantes na vida de um ator. Além de yoga, eu também medito e leio muito. Isso me acalma e bota a criatividade para funcionar.

Quais são seus planos para o futuro? Os planos na vida de um ator são sempre inesperados. Devido a um mercado ainda muito complexo que temos no Brasil, os planos são sempre continuar correndo atrás do próximo trabalho. Atualmente, estou tentando viabilizar uma peça que sonho em fazer desde 2007, mas ainda não consegui financiamento. Quero muito voltar ao teatro, mas também quero fazer mais novelas, filmes e seriados. A câmera tem me encantado muito nesses últimos anos e continuar filmando é muito importante para o crescimento do ator. Então, o plano principal é continuar trabalhando.

Ping-Pong

• Nome: Rafael Losso Alvares 
• Idade: 36
• Local de nascimento: SP
• Altura: 1,81
• Apelido: Losso
• Qual é sua maior qualidade? Ser chato.
• E seu maior defeito? Ser chato.
• O que você mais aprecia em seus amigos? A liberdade.
• Sua atividade favorita é: Trabalhar.
• Quem você gostaria de ser se não fosse você mesmo? Um dançarino do Michael Jackson.
• E onde gostaria de viver? Na Bahia, com certeza.
• Qual é sua viagem preferida? Todas.
• Qual é sua cor favorita? Marrom.
• Um animal: Elefante.
• Quais são seus atores preferidos? Pode ser alguns? Daniel Day Lewis, Juliano Cazarre, Alejandro Claveaux, Juliette Binoche, Marcus Suchara… entre tantos outros.
• E seus cantores? Lenine, Ravelzinho, Janis, Bob, Gil, Chico, Caetano. São muitos…
• O que você mais detesta? O desrespeito, o preconceito, intolerância e toda essa falta de educação.
• Que dom você gostaria de possuir? Se a saúde estiver tinindo do resto a gente corre atrás.
• Uma mania: Toc de organização.
• Um sonho de consumo não realizado: Ter uma casa na Bahia.
• Uma lembrança de infância: Acampar com meus pais.
• O que o irrita? A fome.
• O que ou quem é o maior amor de sua vida? O agora é sempre meu maior amor.
• O que você considera a sua maior conquista? Conseguir ser independente sendo artista no Brasil.
• Qual é o seu maior tesouro? Meu maior tesouro é meu corpo e alma. As únicas coisas que realmente tenho.
• Defina-se em uma palavra: Artista.