Segundo Cacá Ottoni, atuar a ajudou a se livrar da timidez

Atriz fala sobre apoio da família para seguir a carreira de atriz.

Fotos: Simone Francisco


Cacá Ottoni nem sempre teve certeza sobre a carreira artística. Por outro lado, afirma que não se arrepende nem um pouquinho por ter escolhido este caminho. A atriz de 26 anos que está no ar como Diana em ‘Jesus’, bateu um papo com a Mais Mais Mais e revelou os desafios da profissão, os planos para o futuro e a preparação para a personagem.

O que te motivou a entrar na área artística? Antes de pensar em ser atriz, eu já era uma ótima espectadora. Meus pais me incentivaram desde muito pequena a ler, a ir ao teatro, ao cinema, a exposições, ouvir música… Minha formação artística começou com eles, sem dúvida. Depois me apaixonei pela possibilidade de me ver livre da minha timidez, quando percebi que no palco eu conseguia me libertar dela pra brincar de ser outras pessoas, com outros problemas que não os meus. Isso ainda criança. Com o tempo fui conhecendo as artes cênicas mais de perto, me interessando por ramificações como a palhaçaria, me encantando com o cinema, entendendo a necessidade de insistir e resistir para continuar nesse meio que não é nada fácil. Hoje acredito na arte como uma poderosíssima ferramenta de transformação. Apesar das dificuldades que essa escolha me traz, não me arrependo de ter me embrenhado no caminho mais difícil. Nada é melhor do que ser feliz.

Como foi o início? Teve apoio da família? Muito. Até demais. Em determinado momento do ensino médio pensei em mudar pra medicina, e meu desempenho no vestibular era ótimo, então se eu estudasse mais poderia conseguir. Meu pai fez um escândalo. “Por que vai fazer o que não quer? Isso é um absurdo. Você é atriz. Sabe disso.” Acho até que foi exagerado o estímulo da parte dele. Quando fico desempregada às vezes entro em crises do tipo: “porque não me deixou seguir uma engenharia, ou medicina, ou qualquer outra profissão normal?” Mas sempre tive uma relação de muita cumplicidade com os meus pais. Isso é maravilhoso!

Já pensou em seguir outra carreira? Se sim, qual? Lembro que na época da escola me interessava pelo funcionamento do corpo humano de forma geral, então cursos como medicina, nutrição e psicologia eram opções pra mim. E gosto tanto de música que se eu tivesse aprendido de verdade um instrumento, certamente seria musicista.

Quais os principais desafios da carreira? A instabilidade é a minha maior dificuldade, principalmente agora que tenho uma filha, ou seja, meus gastos são fixos e bem mais altos do que antes. Mas ao mesmo tempo que essa “montanha russa” me enlouquece, não me surpreende. Meu pai é escritor infantil e minha mãe artista plástica, então não saber o que seria do mês seguinte sempre foi uma condição absolutamente normal da minha vida. Claro que o nascimento da Malu e o crescente descaso do país em relação ao meio público me fazem ter mais medo de não pensar minimamente no futuro.  O que mais te inspira na profissão? O aprendizado ininterrupto. Conviver com muitas pessoas me faz aprender tanto. Sempre gostei de jogos de equipe, de trabalho em grupo, dessa relação de time mesmo. Isso me faz “crescer”. Compreender o outro, ouvir mais, julgar menos, descobrir pra destruir nossos preconceitos só é possível quando nos relacionamos com todo tipo de pessoa, já que cada pessoa é de um tipo único, né?

E qual o seu trabalho dos sonhos? Gostaria muito de conseguir viabilizar cada vez mais meus projetos de teatro. Atualmente estou finalizando a escrita de uma peça com o Gui Prates, também ator e amigo de longa data. Estamos muito empolgados e apostando todas as nossas fichas nessa escrita a quatro mãos.

Você tem algum ritual ou preparação especial antes de entrar em cena? No teatro, gosto de me aquecer bastante antes. Na TV, sinto que cada cena pede uma preparação específica e não há tanta possibilidade de exercitar tanto o corpo, na maioria dos casos. Mas acho que o trabalho já começa a caminho do set. A música que escuto, a maneira como passo a cena com minha parceira ou parceiro de cena, a troca do figurino,o almoço e o papo no corredor, tudo influencia e faz parte do trabalho. Toda rotina pra mim se torna uma espécie de ritual.

Como está sendo sua preparação para viver Diana, sua personagem em ‘Jesus’? Além de vários workshops oferecidos pela Record, como: culinária, costumes hebreus, costumes romanos, tear e misticismo, tenho lido sobre a síndrome de borderline. Não posso dizer muito mais do que isso para não dar spoiler.



Conte um pouquinho a respeito da sua personagem, você se identifica com ela? A Diana tem uma relação muito bonita com a mãe, de extrema cumplicidade apesar das dificuldades. Me identifico bastante com o lado desastrado e enrolado dela também. No entanto, a personagem carrega um mistério que é muito mais comum entre os jovens do que eu imaginava. Nesse ponto ela se afasta bastante de mim, mas se aproxima de uma porcentagem alta da população brasileira.

Você emendou duas produções, certo? De ‘Lia’ para ‘Jesus’, como foi mudar tão rapidamente assim de um trabalho para o outro? Os dois trabalhos foram de época, Lia ainda mais distante da realidade de hoje, e ambos também retratam histórias oriundas da Bíblia. Nesse ponto, a série me ajudou bastante, por ser um primeiro contato com essa linguagem. Comecei a gravar “Jesus” com a sensação de que já estava gravando a novela há meses. Foi ótimo! Espero que isso aconteça mais vezes na minha carreira.
Você fez muito sucesso com o público quando viveu Morgana em Malhação; como foi essa experiência? Foi ótima. Fiz grandes amigos na malhação, foi meu primeiro contato com a TV também. Enfim, aprendi muito com essa experiência.

No cinema, você já foi indicada a premiações, certo? Conte um pouco sobre esses momentos. Fui indicada ao prêmio de melhor atriz coadjuvante no LABRFF, Festival de cinema brasileiro de Los Angeles, com o filme “Canastra Suja”. Esse filme é bem especial pra mim porque nele interpretei uma autista e foi o mergulho mais profundo em matéria de construção de personagem da minha vida. Além do prazer de atuar ao lado de atores que admiro muito, também ganhei melhor atriz no festival cine Maracanaú, no Ceará, com o filme “Caubóis do Apocalipse”. Todo prêmio é consequência de uma entrega, de um processo, ou pelo menos deveria ser. Fico feliz, claro, de ter um retorno tão positivo a respeito do meu trabalho.

E para os próximos meses; tem algum plano futuro que possa nos contar? Estou escrevendo uma peça com o meu amigo Gui Prates. Esperamos estrear no primeiro semestre de 2019!!!

Como é a sua relação com a moda? Segue tendências, tem alguma peça indispensável? Tenho uma forma particular de me vestir, não sigo nenhuma tendência específica, mas acho que todos nós somos influenciados pelo que vemos. Também não ignoro o bem-estar que nossa vestimenta nos provoca. A roupa comunica muito sobre nós também. Em geral sou bem básica, tanto que quando eu boto um brinco maior todo mundo percebe.

E truque de beleza? Tem algum segredinho? Eu realmente acredito que beleza é estado de espírito. Muito mais do que formas estipuladas por padrões. Tenho tantas amigas totalmente fora do padrão imposto, por estarem acima do peso por exemplo, que estão cada vez mais lindas por aceitarem seus corpos, por serem felizes com elas mesmas. O conceito de belo é algo inventado. Por isso, podemos subvertê-los a qualquer momento. Não é fácil, mas existem alguns movimentos muito interessantes que encaram a beleza como algo muito mais profundo do que a tentativa de se chegar a um corpo dito “ideal”. Meu maior segredo é ser feliz comigo! Nem sempre consigo, mas é a busca que nos move.
PING PONG

  • Nome completo: Carolina Tavares de Macedo Ottoni de Menezes. ENORME! Meus pais não foram legais comigo nesse ponto. (risos)
  • Idade: 26 anos
  • Signo: Canceriana
  • Uma qualidade: a lealdade.
  • Um defeito: a impulsividade.
  • Sua atividade favorita é: já foi ler, hoje em dia com a Malu confesso que está bem difícil!!!!
  • Seu ator favorito é: Tenho vários, mas um que está na minha cabeça agora porque fui a sua peça recentemente é o Matheus Nachtergaele.
  • Sua atriz favorita é: No momento a Grace Passô
  • Uma cor: Verde
  • Um animal: Gaivota
  • Quem você gostaria de ser se não fosse você? Uma apresentadora de um desses programas de viagem, que ficam conhecendo uma cultura por semana e experimentando várias comidas típicas de países exóticos.
  • E onde viveria? Largada pelo mundo.
  • Que dom gostaria de ter? O teletransporte.
  • Qual seu sonho de consumo ainda não realizado? Viajar muito!
  • O que mais te irrita? Perceber que parte da minha geração aposta no retrocesso.
  • Uma lembrança de infância: A sensação de liberdade plena no mundo que era só meu e dos meus irmãos, dentro do nosso quartinho, dividido por três.
  • Quem ou o que é o amor da sua vida? A minha filha.
  • Defina-se em uma palavra: Impossível.