Vivendo um ótimo momento na carreira, Jacqueline Sato não faz planos para o futuro

Atriz mostra toda sua versatilidade em personagens de série, cinema e TV.

Fotos: Jorge Bispo


Na vida artística desde cedo, Jacqueline Sato sempre apostou em aprimorar seus talentos. Hoje, atuando em diferentes tramas e personagens, a atriz afirma que prefere não fazer planos para o futuro. Nesta entrevista exclusiva, ela fala sobre sua trajetória, a preparação para a personagem da trama das sete, seus truques de beleza e a experiência de trabalhar como roteirista na série em que protagoniza.

Seu primeiro contato com a arte foi através da música? Quis seguir carreira? Quando eu era bem mais nova, acho que com 4 ou 5 anos foi quando eu me apaixonei pela música, e pelo canto, mais especificamente. Aí passei minha infância e início da adolescência sonhando em ser cantora. Fazia shows para família e tudo, e achava que arrasava no videokê nas festinhas de aniversário. Lembra disso? Era uma febre!

Então, de certa forma eu quis sim. Mas não fui atrás disso quando chegou o momento de escolher minha profissão, lá pelos 16 anos. Ali escolhi a profissão que tenho hoje que, na minha opinião, está super relacionada. Afinal, cantar também é uma forma de interpretação. E sendo atriz achei que pudesse ter um pouco dos dois mundos, estar no palco, cinema e tv, e poder cantar também, seja como algo que faço só entre os íntimos ou num papel que exigisse esta habilidade. Por isso, paralelamente à faculdade de Rádio e TV e ao curso profissionalizante de Interpretação sempre fiz aulas de canto. E faço até hoje! É uma forma de expressão maravilhosa, que mexe com a alma, e contribui muito para o trabalho como atriz onde o domínio e saúde vocal é imprescindível.

Como surgiu a oportunidade para apresentar “Sessão Super Heróis”. Apesar de muito nova, o que você lembra dessa época? Foi incrível. Eu me divertia muito. Saia da escola, almoçava e ia gravar. Achava um barato. Desde essa época fui aprendendo o quanto a dicção e a forma como falamos é importante. Na época, ou pelo menos na produção deste programa, não havia Teleprompter , então tudo era escrito em dálias mesmo. E uma pessoa ia virando as páginas. Foi um grande exercício! Fora o fato de todos os amiguinhos assistirem, o que era muito legal. Além disso, eu realmente me impressionava com o impacto da TV, em receber cartinhas de pessoas que moravam tão longe e gostavam de mim e do programa. Naquela época não existia rede social e o uso da internet não era tão acessível quanto hoje. Digamos que a comunicação era mais trabalhosa, e eu ficava admirada com o carinho que recebia das pessoas.

Quando teve certeza de que queria ser atriz? Quero isso desde pequena. Tanto atuar como cantar, ambas me “chamavam”. Mas foi quando estava saindo do colégio e tinha que decidir o que faria “quando crescesse” que dei meu primeiro passo nesta direção. Iniciei os estudos e desde então nunca mais parei. Mesmo nos momentos difíceis, em que pensamos em desistir, eu não conseguia me imaginar fazendo outra coisa. E sinto que é meio que isto, quando a paixão pelo que se faz é grande assim superamos qualquer obstáculo, dificuldade, desafio.

Quando se mudou de São Paulo para o Rio, teve dificuldade de adaptação? Gosto de mudanças. Nunca quis viver sempre numa mesma cidade. Quanto mais lugares eu puder conhecer e tentar me adaptar, melhor. Gosto muito de estar em contato com a natureza e isso tem de sobra no Rio. Foi uma delícia poder assistir ao pôr do sol na praia nos dias de folga, entre outras coisas. Confesso que batia saudades do namorado e da família. Mas nada que uma ponte aérea a mais na semana não resolvesse. Tirei de letra. E agora estou vivendo isso novamente. Gosto de tentar aproveitar ao máximo o momento presente, independente de onde esteja. Sempre há o que aprender, o que admirar, o que conhecer. Sabe aquela sensação que temos quando estamos de férias e viajamos? Tudo é lindo, e até os perrengues se tornam história pra contar. Tento importa-la para o meu dia a dia também. A vida fica mais colorida, mais leve, divertida. Afinal, a vida em si é uma viagem. Acredito que estou sempre de passagem pelos lugares, momentos, nada é fixo.

Nas redes sociais você se declara amante da natureza, e é possível ver o carinho que tem principalmente pelos animais. Já pensou em seguir uma carreira exclusivamente voltada para isso? Amo MUITO mesmo. No terceiro colegial, quando eu estava escolhendo qual profissão seguir, pensei em fazer Engenharia Ambiental. Mas lembro que já naquela época pensei que talvez eu pudesse contribuir de outras formas me utilizando da arte, e da comunicação em si, até mesmo em entrevistas como esta, para dar voz a estas causas, a fazer com que a consciência ambiental fosse transmitida a mais pessoas, através de veículos diferentes.

Como é participar de “Orgulho e Paixão”? Está sendo demais! Peguei o bonde andando e fui recebida com muito amor pela equipe toda. A Mariko é um desafio delicioso para mim. O jeitão dela é bem diferente do meu, e me faz lembrar a minha irmã que é médica. Além das referências que assisti como “Dr. House”, “Nise”, e a série “Call the Midwife”. Quando recebi a descrição da personagem eu estava chegando em casa, na garagem mesmo abri a mensagem e comecei a rir muito, pois no quesito personalidade, parecia que estavam falando da minha irmã. Até liguei pra ela hora contando e ela também deu risada. Claro que nada é cópia, não a copio, mas posso dizer que me inspiro.

Além de ser um desafio e a realização de um sonho fazer uma novela de época, estou amando aprender mais sobre as terapias orientais, já gravei uma cena em que a Mariko aplica acupuntura, moxa e ventosas. Foi muito legal! Disseram que eu fiz direitinho, vamos ver no ar se foi mesmo.

E pra finalizar, é uma honra fazer uma personagem tão forte quanto ela. Uma pioneira numa época em que praticamente não havia mulheres na medicina, aliás em quase nenhuma profissão. Então é também dar voz ao feminismo e à quebra de paradigmas preconceituosos. Em cena falamos do preconceito, mas quase sempre mostrando que ele pode e deve ser vencido. Isto é muito bacana.

“Talvez Uma História de Amor” é sua estreia no cinema. Como foi a experiência de gravar para as telonas? Nossa, isso foi muito especial! Falando em paradigmas, foi uma mudança enorme pra mim. Sabe aquela sensação “Antes do filme” , “Depois do filme” ? Ela existe em mim. Foi o meu primeiro longa, e isto na vida de uma atriz é de uma importância enorme. Sempre sonhei em fazer cinema, imaginava como seria se ver na telona e isto me incendiava de vontade e determinação para continuar me preparando para o dia que isto fosse acontecer. E aconteceu. Lembro de parar alguns segundos durante aquele primeiro dia de gravação e pensar “caraca, estou fazendo cinema” e agradecer muito. Pois não era só  pelo fato de fazer um filme, era também fazer um filme que eu acredito, que eu amo a história, que é baseada num livro de um autor francês (Martin Page) que eu já gostava muito, e por contracenar com um ator (Mateus Solano) de quem eu era fã, e fiquei mais ainda depois de trabalhar junto.

E pra ser melhor do que tudo isto que eu já estava sentindo, a surpresa de conhecer o trabalho do roteirista, diretor e produtor do filme, Rodrigo Bernardo, que é fenomenal. Tem um olhar único, uma sensibilidade e uma condução com os atores que eu nunca tinha visto, é realmente um grande talento que veio pra fazer diferença no cenário audiovisual brasileiro.


Por outro lado, “(Des)Encontros” é sua estreia como protagonista. Fale um pouco sobre esse trabalho.
Foi! Isto é de um significado e importância que é até difícil de resumir em palavras. Acredito que toda atriz tem essa vontade de protagonizar uma história, isto significa ser o fio condutor, ser a pessoa que carrega o público durante toda a obra. Uma responsabilidade sem igual. Mas também de um prazer sem comparação. Claro que o desafio também é maior, mas aí é que está a graça. A Marina, personagem que faço em (Des) Encontros é uma Designer, se dá bem em vários âmbitos da vida, mas no amor, ainda falta. Tem uma relação mal resolvida, que vai empurrando com a barriga. Faz muito por tudo e por todos, e aí acaba esquecendo de dar mais valor e atenção a si mesma, às suas reais vontades. Ela não aparenta ser insegura, nem ter medos, pelo contrário, é toda descolada. Mas aos poucos vamos a conhecendo e vendo que toda super-mulher pode ter seus momentos de falta de coragem.

Nunca estive tão realizada profissionalmente, protagonizar uma série, fazer cinema pela primeira vez, e estar numa novela, tudo num só ano é uma surpresa maravilhosa. Posso dizer que a colheita foi farta esse ano.

Na série, você trabalhou também como roteirista. Como foi essa experiência? Um dos maiores desafios que já vivi. Na verdade, fui colaboradora durante o processo de escrita da série. Aprendi muito e fiquei com vontade de mais. Escrever é algo profundo e complexo. Quem escreve sai do zero, tudo sai da mente do roteirista. Isto pode parecer libertador, e é, mas ao mesmo tempo não é. Pois também há regras e métodos a serem seguidos. Exige muita pesquisa e trabalho, e trabalho, e trabalho. E tentativa, e erro, e mais uma vez, e haja coragem, porque é uma exposição e tanto. Quando você finaliza, é por que já tentou várias vezes e chegou no seu melhor, que pode ainda ser rejeitado, clichê, ou não. Eu sei que é assim em quase todo o tipo de arte, mas de alguma forma, me pareceu muito difícil e delicado este lugar do roteirista. Porque diferente da atriz que tem o texto como um mapa, um guia para então construir seu trabalho em cima daquilo, o roteirista sai do papel em branco. É fascinante. Eu já tinha noção de que nesta profissão há de se estudar muito, mas depois desta experiência esta noção se multiplicou por 100.

Qual a expectativa para a estreia dessas duas produções? Que o maior número possível de pessoas assistam e se identifiquem com estas obras tanto quanto eu me identifiquei. Que ela sejam tocadas, se divirtam, e quem sabe, repensem sobre o amor e se permitam amar ainda mais. Acredito muito nestes dois projetos, e acho que tem tudo para serem grandes sucessos. Vi neles algo de novo, um frescor, e um modo de contar histórias diferente de tudo o que já vi aqui no Brasil. Achei realmente lindo e bom tudo o que vi em “Talvez uma História de Amor” e “(Des)Encontros”. O gênero comédia romântica ganhou dois representantes de peso para a categoria, pelo menos na minha opinião.

Tem algum trabalho dos sonhos? É claro que todos nós atores temos papéis que almejamos. Fazer minha primeira protagonista já está sendo uma grande realização. Fazer cinema também. Posso dizer que este ano já realizei dois grandes sonhos. Gosto de papéis que me desafiem, pois só assim sinto que crescerei como atriz. Seja em qual formato for, cinema, tv ou teatro.

Sonho com carreira internacional também, por que não? Ainda mais neste mundo tão globalizado e conectado de hoje. Com séries sendo exibidas mundialmente através do streaming. Mas sei o quanto ainda tenho o que aprender, fazer, e crescer aqui no nosso país também. Acredito que enquanto artista, quanto mais experiências diferentes eu tiver, mais eu cresço. Então estou aberta, e estudando sempre. Para que quando surgir um novo papel eu possa interpretá-lo à altura.
Mas para citar alguns exemplos: já é até clichê falar, mas adoraria fazer uma vilã. Deve ser uma experiência bem diferente das que já tive. Também tenho vontade de interpretar uma personagem que cante. Sempre gostei de musicais, filmes e peças, e faço aulas de canto. Além de achar lindo unir estas duas formas de expressão, creio que seria um grande desafio.

Como você cuida do corpo e mente? Procuro me alimentar de forma saudável. Como pouco, várias vezes ao dia. Aquela velha história de comer de três em três horas. Dou preferência a alimentos frescos e orgânicos. Bebo muita água. Levo minha garrafa reutilizável tamanho GG por onde quer que eu vá. Parei de comer carne vermelha há mais de três anos, por causa da minha saúde e a do planeta. A produção da carne vermelha é responsável pela eliminação de grandes quantias de CO2 e metano – mais do que a poluição causada pelos automóveis – e pelo desmatamento em várias regiões. Sempre falo disso, pois acho que muita gente não lembra ou não sabe, e torço para que, tendo esta consciência, as pessoas, ao menos, diminuam o consumo.

E procuro me exercitar ao menos 3x na semana. Busco exercícios que me deem prazer e despertem a consciência corporal como dança, pilates, yoga e treinamento funcional.

Acredito que corpo, mente, e espírito são uma coisa só. Gosto do modo holístico de ver o mundo e a mim mesma. Acredito mesmo que tudo está interligado. Então, quando cuido de uma “parte”, sem dúvidas estarei interferindo no todo. Por isto, meu modo de buscar equilíbrio está em todas as pequenas coisas que faço. Sempre em conexão com aquilo que me faz bem, me faz sentido, e dá sentido à vida.

Você se mantém ligada nas tendências da moda? Ligada sim, mas não sigo à risca. Crio minha opinião em cima daquilo. Faço meu próprio filtro do que gosto, do que não gosto. Busco fugir da rigidez em qualquer que seja a aérea. Inclusive na moda. Se tem algo que é tendência, que está muito em alta, mas que não tem muito a ver comigo eu não fico tentando usar.

Minha relação com a moda já passou por várias fases. Hoje, penso a moda de um jeito muito consciente. Cada vez mais tenho me informado sobre a origem e modo como as roupas são feitas. Sempre fui avessa ao desperdício, me preocupei com a natureza e busquei mudar alguns hábitos para que eu gerasse menos impacto ambiental. E se já existia preocupação com esses temas quando o assunto era alimentação, ela se estendeu também para aquilo que visto. Entrei a fundo numa auto-análise de quanto o consumismo estava arraigado em mim, e resolvi mudar minha atitude inclusive em relação à moda. Isto abriu um universo novo para mim. Passei a pesquisar quais marcas tem uma consciência ambiental, descobri algumas sustentáveis, e passei a dar bastante valor ao “como”, em detrimento do “o que”.Por que às vezes, uma roupa pode ser linda, mas o modo como ela foi produzida gerou tanta coisa ruim que ela deixa de ser bonita. Cada vez mais tenho optado por peças atemporais, versáteis, que possam ser usadas de diversas maneiras, que funcionem para sair de dia ou de noite, dependendo de como as combino.  
Tem algum macete de beleza? Beber muita água! Muita mesmo! Se passo 2 dias bebendo menos água do que estou acostumada, meu corpo todo sente, e obviamente a pele também. Fora isso, lavo o rosto com sabonete apropriado para a face e passo protetor solar. Sempre limpo bem a pele antes de dormir. E evito tomar muito sol nos horários em que ele está mais forte. E com os cabelos, lavo dia sim, dia não, e nunca durmo com ele úmido. No dia a dia, prefiro deixá-lo secar naturalmente. Mas não dispenso modelar a franja.

Quais são os planos para o futuro? Não faço muitos planos a longo prazo, não. Até pra não criar expectativas demais e acabar, inevitavelmente, me frustrando. Gosto de estar aberta a estas surpresas. Meus planos sempre estão ligados ao que está ao meu alcance hoje, que acredito ser a sementinha de algo que colherei no futuro. Então meu plano para daqui a pouco quando eu acabar esta entrevista será estudar e trabalhar bem a cena que gravarei amanhã, e quem sabe, algum diretor vai assistir, gostar e me chame para algo novo. E assim vamos, uma coisa leva a outra.

Como, por exemplo, aconteceu recentemente em SP quando fui assistir ao espetáculo “A Cantora Careca” do Ionesco. O Eduardo Tolentino, diretor deste grupo de Teatro, me convidou para a montagem da próxima peça deles que se chama “Anatol” do Arthur Schnitzler. Não planejei, não esperava, e foi uma surpresa deliciosa. Vamos conversar ainda sobre quando e onde será. Talvez, no futuro, os meus planos sejam os ensaios e as apresentações da peça. Vamos ver. Com certeza vou amar! Será o ano mais completo profissionalmente, terei feito novela, cinema, série e teatro.


Ping-Pong

• Nome: Jacqueline Hikari Santos Sato

• Idade: 29

• Local de nascimento: Guarulhos

• Altura:1,73

• Apelido:Jacque

• Qual é sua maior qualidade? Amor

• E seu maior defeito? Insegurança

• O que você mais aprecia em seus amigos? Os momentos inesquecíveis que criamos juntos

• Sua atividade favorita é: Contar Histórias

• Qual é sua ideia de felicidade? O Agora

• Quem você gostaria de ser se não fosse você mesmo? Um gato

• E onde gostaria de viver? Na verdade gostaria de ter um teletransporte que me levasse para onde eu quisesse a hora que eu quisesse. Por que eu gostaria de viver em muitos lugares diferentes. Esta é a real.

• Qual é sua viagem preferida? A que fiz logo que acabei Sol Nascente, em que fui para China, Japão e Estados Unidos. Essa viagem mudou minha vida. Por muitos motivos.

• Qual é sua cor favorita? Verde

• E qual é sua comida favorita? Sushi

• Um animal: Gato

• Quais são seus atores preferidos? Meryl Streep, Jack Nicholson, Fernanda Montenegro, Toni Ramos, Benedict Cumberbatch, Natalie Portman, não consigo fazer uma lista enxuta.

• E seus cantores? Brittany Howard do Alabama Shakes, Aretha Franklin, Joss Stone, BB King, Frank Sinatra, Norah Jones, Caetano Veloso, Djavan, Milton Nascimento, Gal Costa, Elis Regina.

• O que você mais detesta? Descaso

• Que dom você gostaria de possuir? Acabar com a desigualdade social, e terminar com as causas da “destruição” do nosso planeta.

• Uma mania: café

• Um sonho de consumo não realizado: conhecer todos os países do mundo.

• Uma lembrança de infância: criar enredos fantásticos para as “vidas” das minhas bonecas durante dias inteiros.

• O que a irrita? Falsidade

• O que ou quem é o maior amor de sua vida? Essa é sacanagem. Alguém vai ficar com ciúmes. Mas não tenho como não dizer que é “o amor da minha vida”, Rodrigo Bernardo.

• O que você considera a sua maior conquista? Estar sempre conectada com o meu propósito e essência.

• Qual é o seu maior tesouro? Conhecimento, ninguém vai conseguir roubar de mim. Nunca.

• Defina-se em uma palavra: Impossível