Yara Charry revela que a carreira de atriz não fazia parte dos seus planos

Atriz conta como foi deixar a França para se dedicar a atuação no Brasil.

Foto: Faya
Make: Walter Lobato
Stylist: Wes Rodri


A francesa Yara Charry nem imaginava que um simples convite para participar da novela ‘Velho Chico’ seria capaz de mudar por completo o seu caminho. A atriz, também envolvida com música e moda, conta neste bate papo exclusivo toda sua trajetória desde a saída da França, à sua personagem Jade, em ‘Malhação’.

Você é cheia de talentos! Conta pra gente como descobriu as suas vocações? Muito obrigada. O estudo e as experiências que tive, em diferentes áreas, me ajudaram a definir o que me interessava mais. Cheguei, por exemplo, em boa parte da minha vida, a “investir” na moda; era um sonho ser estilista. Mas, após participar de “Velho Chico”, meus sonhos se redesenharam e vi que atuar se tornou minha prioridade. Aquele amor à primeira vista, sabe? Já a música, que pratico desde criança quando cantei ópera durante quase dez anos no “Coral de Paris”, fui aprimorando com aulas que tive desde muito cedo, porque meus pais sempre me apoiaram muito e me colocaram para exercer essas atividades artísticas. E é assim, realmente unindo teoria e prática, que acredito ter descoberto algumas aptidões.

E como foi seu início na carreira artística? Primeiro de tudo, nunca havia passado pela minha cabeça nada em relação a ser atriz um dia. Então meu início foi uma surpresa para mim mesma. O prelúdio da carreira que estou construindo se deu quando a produção de “Velho Chico” estava precisando de uma francesa para integrar ao elenco, então fui convidada pelo diretor para fazer o teste e, felizmente, passei. Depois disso, nunca mais parei e decide estudar na CAL – Casa de Artes das Laranjeiras, além de procurar sempre me atualizar com alguns cursos. Esse início como atriz, confesso, foi, talvez, o maior desafio da minha vida até hoje, ao mesmo tempo em que foi uma das descobertas profissionais mais incríveis.

Hoje, o que mais te inspira na profissão? Saber que posso viver mil vidas em uma. É engraçado, né? Mas bem real! Outra coisa que me encanta demais é o fato de poder contar histórias que alimentam e dão visibilidade a questões sociais importantes. Sabe aquela ideia de representatividade? Traz um sentimento de estarmos vivos de verdade! Então, pelas tramas refletirem certo realismo, fico ainda mais apaixonada por essa profissão, afinal, para mim, o ator é um ser político por natureza.

Existe algum trabalho dos sonhos? Todo trabalho é um trabalho dos sonhos. Um ator deve estar sempre preocupado em passar verdade e sensibilizar, estando ele como protagonista, ou não. Apresentando uma série, novela, teatro ou filme. Ou, simplesmente, atuando no Brasil ou em Hollywood. É preciso apenas emprestar a alma, corpo e mente para o que se propõe a fazer.

Como foi deixar Paris para se dedicar à carreira no Brasil? Foi um desafio, uma mistura de sensações. Imagina se mudar para um país que, certamente, tem algumas diferenças em relação ao lugar que se estava acostumado a viver? Traz um frio na barriga, mas uma expectativa boa. Mudanças podem agregar positivamente, uma vez que estamos aqui, nesta vida, para somar experiências. No início, no Brasil, tive as minhas dificuldades (o que considero normal) com o idioma, por exemplo. E sinto, até hoje, muitas saudades da minha família e às vezes até da rotina que eu tinha na França, mas como o tempo nos adaptamos. Foi a minha escolha estar aqui, e eu escolheria mil vezes a mesma coisa, porque eu sinto que a arte me escolheu porque também a escolhi.

Falando um pouquinho sobre moda, como foi estudar em Paris? E quais cursos você frequentou? No ensino médio, em Paris, os alunos têm a oportunidade de escolher fazer um estágio em alguma empresa e área que se identifica. Eu escolhi, já que era interessada em moda, trabalhar na Chanel. Lá, eu ficava na parte de moda e estética. E, também, tinha algumas amigas que já estudam em faculdades de moda, foi quando comecei a ir, com elas, em algumas palestras e eventos renomados como, por exemplo, Fashion Week.

Sabemos também que você trabalhou na Chanel, tem alguma história interessante para nos contar dessa experiência? Quando eu cheguei, na Chanel, fiquei muito surpresa com a grandiosidade da empresa. Cada um, naquela multidão de profissionais, tinha sua função, mas todos se ajudavam muito, o que tornava o trabalho algo incrível. Outro grande aprendizado foi ter sido escolhida pela diretora de marketing para trabalhar ao lado dela, seja desenhando, escrevendo e, claro, acompanhando-a para todos os lugares. Foi um aprendizado que levo para vida toda. Como você definiria o seu estilo? Sou muito interessada por moda, então gosto de saber qual é a cor do momento, se todo mundo está usando mais calça ou saia, por exemplo. Mas, como fui criada num ambiente frio, sou bem apaixonada por botas e casacos, que é algo muito usual em Paris. No entanto, quando cheguei ao Brasil, meu olhar sobre a moda mudou, porque estamos em um país tropical e aqui usamos mais roupas de verão. Considero meu estilo alinhado com o mundo da moda e das cores, que são detalhes importantes para mim.

Existe alguma peça do seu guarda-roupa que é indispensável? No inverno, a peça mais indispensável é o casaco, que pode ser usado com um cropped. Fica maravilhoso! Já no verão, sandálias, blusas de alcinha e, também, cropped, cai muito bem.

Voltando para a atuação, como é fazer parte da Malhação? Uma produção já tão tradicional da tv brasileira. A malhação é uma novela que atinge gerações. Há anos no ar, se consolida, a cada nova temporada, como uma trama de sucesso. Para mim, é especial demais faz parte de um folhetim que vem contando, durante todo esse tempo, histórias diversas, com temáticas importantes para a sociedade e, sobretudo, proporcionando representatividade ao público jovem, que é fiel e, em sua grande maioria, consegue se inspirar na mensagem que a novela busca passar. Malhação também é uma verdadeira escola, e estou muito grata por poder atuar numa produção em que os adultos brasileiros cresceram assistindo.

Como é a sua relação com a sua personagem? Você se identifica com a Jade? Sim, bastante. Jade tem ligação com a moda e a música, duas coisas, nessa vida, que sou completamente apaixonada. Só não me identifico com o humor ácido de Jade, mas damos um desconto porque ela é uma vilã, né? (risos). Fora isso, gosto da generosidade da minha personagem. Acho que essa empatia torna o mundo melhor.Existe algum trabalho ou personagem que tenha te marcado de uma maneira mais especial? Tudo que fiz, até hoje, me marcou. O ator é sempre modificado quando tem um bom personagem em mãos. Então, sou grata pelas oportunidades que tive, mas posso afirmar que Sophie, em “Velho Chico”, foi bem especial porque eu estava estreando na tv, algo que até então nunca tinha passado pela minha cabeça.

Sobre o futuro; você tem algum plano em mente? Algo para os próximos meses e que possa nos contar? Tenho, mas não posso abrir muito nesse momento. O que consigo adiantar é que Jade trará muitas surpresas ainda, e isso está me deixando com uma ansiedade boa e bem feliz para ver o que o público vai achar. Além disso, estou preparando algo com a música, mas ainda não está totalmente definido.

PING PONG

  • Nome completo: Yara Maria Béatrice Charry
  • Idade: 21 anos
  • Signo: Leão
  • Uma qualidade: sincera
  • Um defeito: sinceridade
  • Sua atividade favorita é: Nadar, mergulhar, surfar, aula de interpretação, dança, aula de música
  • Seu ator favorito é: Muito difícil escolher, tem tantos atores incríveis: Ryan Reynolds, Antonio Fagundes, Rodrigo Santoro e Lima Duarte
  • Sua atriz favorita é: Nossa, muito difícil escolher também: Fernanda Montenegro, Meryl Streep, Angelina Jolie, Adriana Esteves e Julia Roberts
  • Uma cor: Rosa millennial
  • Um animal: Leão
  • Onde gostaria de viver? Há alguns anos atrás pensaria em viver em Nova York, mas hoje em dia tem tantos lugares incríveis como Canadá, Tailândia, Croácia, Austrália, Islândia
  • Que dom gostaria de ter? Controlar vento e água
  • O que mais te irrita? Falsidade, falta de caráter
  • Uma lembrança de infância: Momentos de família com meu irmão (viagens e idas aos parques de atração nos Estados Unidos)
  • Quem ou o que é o amor da sua vida? Meu irmão e minha pink (cachorra)
  • Defina-se em uma palavra: Leve
  • Quem você gostaria de ser se não fosse você? Uma heroína da Marvel. Quem sabe eu não ajudava o mundo com superpoderes? (risos)
  • Qual seu sonho de consumo ainda não realizado? Poder viajar vários países levando arte.